Crer em Deus - Paróquia Santa Rita de Cássia - Viçosa/MG

Crer em Deus

Deus é o próprio Ser subsistente por si mesmo, o qual, como falou São Paulo no Areópago de Atenas, “criou o Universo e tudo que nele se encontra” (Atos 17,24). Todas as criaturas são seres contingentes, ou seja, existem, mas poderiam não existir. Dotado de inteligência o ser humano acredita que Deus existe através da fé. Segundo o Catecismo da Igreja, “a fé é uma adesão pessoal do homem inteiro a Deus, que se revela. Ela inclui uma adesão da inteligência e da vontade à revelação que Deus fez de si mesmo por suas ações e palavras” (173). Pela Filosofia o homem também pode chegar a professar a existência de Deus, como, por exemplo, através das cinco vias expostas por Tomás de Aquino. É necessário estar sempre de acordo com Deus, podendo repetir com Davi: “Todos os dias haverei de bendizer-vos, hei de louvar o vosso nome para sempre” (Sl 144,1).

Davi oferece a razão desta atitude: “Grande é o Senhor e muito digno de louvores e ninguém pode medir sua grandeza” (Idem, ibidem). O Profeta Amós assim cantou este poder divino: “Ei-lo o que forma o trovão e cria o vento, que derrama torrentes de água sobre os campos, que caminha sobre as alturas da terra; Senhor, Deus dos exércitos, é o seu nome” (Amós, 4,13). Deus oferece aos homens um tesouro que é o universo. Uma pobre ciência humana faz tudo para afastar Deus e filósofos ateus em vão tentaram e tentam negar sua existência, mas, como dizia Pascal, Ele “se oculta e se deixa ver”. Isto porque como diz a Bíblia: “Narram os céus a glória de Deus e o firmamento apregoa as obras de suas mãos” (Sl 19 2).

Eis porque os que creem procuram união com Ele, como o sábio Pe. Sertillanges que assim se expressou: “Uno-me espiritualmente a Ele e procuro a coincidência de meu espírito com Seu espírito, de meu querer com Seu querer, de meu repouso beatífico com Seu eterno e beatífico repouso”. Dá o motivo pelo qual se deve assim proceder: “Representá-lo como é, acima de toda a medida e de toda comparação, tão íntimo quanto imenso, eis a verdadeira humildade. eis a sabedoria”. Disso resulta poder captar sempre os sinais divinos quer na alegria, quer na tristeza, pois Ele está sempre a cobrir o ser humano com sua mão paternal e tem poder para transformar o mal em bem. Acontecimentos exteriores são meios eventuais de advertências divinas das quais se devem tirar lições preciosas.

Muito bem se expressou Jó: “Se recebemos de Deus as coisas boas, porque não vamos aceitar também as provações?” (Jo 2,10). Isto numa imperturbável aceitação, com a mesma serenidade, quer nos momentos de regozijo, quer nos instantes das dores, demonstrando o cristão um apego confiante nele e pleno despego de si mesmo. Como explicou São Paulo, “sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus que são chamados segundo o seu propósito (Rm 8, 22).

Deus sabe o que faz e nem sempre o ser humano tem capacidade de interpretar os acontecimentos. Assim, por exemplo, José que foi vendido por seus irmãos como escravo, depois se tornou governante do Egito para salvar não somente seus irmãos que agiram tão perversamente, mas ainda toda a casa de Israel da destruição. a ousadia humana muitas vezes pretende trazer Deus a seu tribunal e tal atitude em face do Infinito é de uma infantilidade lamentável, para não se dizer de uma estupidez sem limites.

Cumpre sempre confiar na Providência divina e jamais deixar aflorar queixas pueris. Para evitar tais dispares a solução é saber escutar o Espírito Santo, evitando a loucura de julgar Deus. O Apóstolo Paulo escreveu: “Quem poderá separar-nos do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo ou a espada? [...] Mas em todas essas coisas somos nós mais que vencedores graças àquele que nos amou” (Rm 815-38). Deus é fiel, justo e sábio e é preciso viver do sopro de seu Espírito, meditando sobre a obra de suas mãos para poder avançar livre e confiante rumo à eternidade.

Lá, como está no Livro do Apocalipse, “Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas” (Ap 12,4). 


Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho

Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos

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