O Exemplo da Lola - Paróquia Santa Rita de Cássia - Viçosa/MG

O Exemplo da Lola

Eram vinte e duas horas de uma noite fria de 1999. Precisamente, nove de abril. No visor do celular visualizei quatro letras identificando a origem da chamada: “Lola”. Ainda no carro, regressando de sua residência, em companhia do Médico Cláudio Bomtempo, quando sua assistente transmitiu-me a infausta notícia: Lola acaba de falecer.

Floripes Dornelas de Jesus nasceu em Mercês, Minas Gerais, aos 27 de junho de 1912. Por volta dos quatro anos de idade, transferiu-se com a família para o vizinho município de Rio Pomba. Perto dos 19 anos, sofreu um grave acidente, caindo de uma jabuticabeira, ficando paraplégica e com alterações em seu organismo, (pois não sentia mais fome, nem sono, nem sede. Passou a alimentar-se somente da Eucaristia), pediu insistentemente que não mais lhe aplicassem remédios, pois eles não surtiam nenhum efeito.

Sua confiança no Sagrado Coração de Jesus atraiu milhares de peregrinos à sua residência, prodigalizando inúmeras graças. Com filial obediência e gratidão, atendeu a orientação de Dom Helvécio Gomes de Oliveira, então Arcebispo de Mariana, interrompendo as romarias, passando a dedicar-se a todos, por meio do silêncio e oração.

Falecendo aos 86 anos, milhares de pessoas acorreram ao seu velório na Igreja Matriz de São Manoel e seu túmulo continua sendo muitíssimo visitado no cemitério de Rio Pomba.

Que saudades daquela criatura de Deus! Sei que agora sua ajuda apostólica é muito maior. Mesmo assim, o sentimento humano clama a perda de sua companhia física. Que falta me faz o retorno materializado em tantas palavras profundas e gestos eloquentes em minhas incontáveis idas a sua casa! Dor que se transforma em regozijo cada vez que a fé nos põe diante de respostas traduzidas em graças conseguidas por ela junto de Deus.

Dentre as lições que Lola nos deixou, talvez a maior delas seja a confiança em Deus. Fazendo-nos salmodiar: “Minha alma confia no Senhor, mais que o vigia esperando pela aurora...”, ou ainda: “quem confia no Senhor é como uma árvore plantada à beira do riacho: produz frutos o ano inteiro e está sempre verdejante”.

Os devotos do Sagrado Coração de Jesus e, em especial, o Apostolado da Oração, ganharam uma fiel intercessora no Céu. Enquanto fisicamente entre nós foi a incansável divulgadora desta devoção, cremos que na presença do Altíssimo esta missão ainda se torna mais eficaz e duradoura.

Mesmo paraplégica e com tantas dores, ela sempre se interessou em retribuir com orações as visitas dos sacerdotes. Quantas vezes, solidário à dor de alguém, não hesitei em pegar o telefone e ligar para ela. Do outro lado da linha uma voz serena perguntava: “quem é que está chamando?”. Antes da conversa terminar, já estava seguro de suas orações. A conclusão era sempre a mesma: “o senhor me dá uma bênção?”. Depois da bênção ouvia um “Amém”, cheio de fé. Hoje continuo me servindo do telefone. Paro. Rezo e rapidamente está feita a conexão:

Deus Pai, que revelastes as maravilhas do Reino aos pequeninos, nós Vos agradecemos pelos tesouros de virtude e sabedoria que em vida concedestes a Vossa filha Floripes Dornelas de Jesus, Lola.

Nós Vos pedimos, pela força do Vosso Espírito, exaltai sua humildade elevando Vossa fiel serva à honra dos altares.

Concedei-nos a graça da oração e total confiança no Sagrado Coração de Vosso Filho, e na proteção materna de Maria, para que um maior número de pessoas possa tê-la como intercessora e modelo de vida cristã. Amém.

Ah! O preço da ligação? Nada. Já foi pago pelo sangue que o Senhor Jesus derramou no Calvário. Fique à vontade. Pare. Reze um pouco e rapidamente está conectada uma DISCAGEM DIRETA PARA O CÉU!

Padre Paulo Dionê Quintão – Pároco

Paróquia Santa Rita de Cássia

Praça Silviano Brandão - s/n, Viçosa - MG, 36570-000

(31) 3891-5191