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Ver e escutar


Lemos que Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e os levou à parte a
um alto monte e transfigurou-se diante deles (Mc 9,2-10). Como
observam os hermeneutas, os intérpretes da Sagrada Escritura, o monte
Tabor longe de ser uma elevada montanha é, antes, uma bela colina de
mais ou menos seiscentos metros de altura. Entretanto se o evangelista
emprega o termo montanha não foi para exagerar, nem para induzir ao
erro. Sua intenção foi, por certo, colocar o acontecimento da
Transfiguração no universo simbólico das admiráveis manifestações do
Messias, salientando o notável episódio. Há um paralelo entre o fato
do Tabor e o do monte Sinai onde Deus entregou a lei a Moisés. No
Tabor como no Sinai temos a montanha, a nuvem e Deus com suas
mensagens, Uma presença formidável do Ser Supremo no Antigo Testamento
e também na Nova Aliança. Jesus conversa no Tabor com dois personagens
que representam magnificamente as duas fontes da revelação judaica:
Moisés e Elias. Duas figuras realmente emblemáticas: a lei e os
profetas. Moisés e Elias, personagens marcantes da primeira Aliança,
em tertúlia com Jesus que surge então como uma nova etapa da
revelação. Adite-se a voz do Pai que se fez ouvir: “Este é o meu filho
amado, escutai-o”. Perante a nova revelação Moisés e Elias
desaparecem. Não se tratou assim de uma simples nova etapa na história
da revelação, mas o acabamento que, de uma certa maneira, relativiza a
antiga revelação. O acontecimento da transfiguração reorienta a
revelação iniciada da primeira Aliança. Com efeito, a palavra que
Deus passa a dirigir aos homens não ´e mais uma mensagem, mas uma
pessoa, seu Filho amado e com uma determinação “escutai-O”. Moisés e
Elias, a alei e os profetas, propunham a quem cresse uma mensagem, ou
seja, fazer isto, não praticar aquilo e Deus estará convosco. Agora,
com a pessoa de Jesus, a Nova Aliança não consiste apenas em acolher
uma lei ou uma profecia, mas em crer na obra da graça manifestada no
próprio Filho de Deus. É certo que temos textos, um Novo Testamento,
que somos chamados a nos comportar segundo a fé e a moral evangélica,
mas o que faz que alguém seja cristão, não é a prática, a moral,
mas a Fé na pessoa de Cristo. No sentido estrito, o Evangelho, a Boa
Nova, não é o texto que conta a vida e a mensagem de Jesus, mas o
acontecimento da vitória do Bem-amado do Pai sobre a morte, pois a
vida de Jesus manifesta a verdadeira via para que alguém se salve,
para se viver em comunhão com Deus. Sua crucifixão mostrou que Ele,
tomando os pecados da humanidade era um reprovado e lemos no
Deuteronômio: “Maldito aquele que pendeu do lenho da cruz!’ São Paulo
dirá que Deus O havia por nós identificado com o pecado (2 Cor 5, 21).
Foi, entretanto, após sua paixão que Deus, o Pai de Jesus, O
ressuscitou dentre os mortos e aos olhos de seus contemporâneos, Sua
paixão e Sua morte sobre a cruz demonstraram que Ele era o rejeitado
de Deus. Esta rejeição era exterior, o visível, o sensível, porque o
interior estaria sempre intacto. Por isto o que a Transfiguração
manifestava aos três privilegiados discípulos ali no Tabor era o
esplendor da divindade sempre intacta em Jesus. A Ressurreição fez
brilhar aos olhos dos discípulos a realidade da comunhão profunda de
Jesus com a vida divina que não fora vencida pelo mal. O que a
Transfiguração havia manifestado aos olhos de Pedro, Tiago e João
ficara vivo na pessoa de Cristo durante sua paixão e morte. Quando
Deus fez aliança com o homem, Ele levou até o seu acabamento a obra de
vida que Ele iniciara. Não obstante o mal que paira neste mundo e o
desfigura, aquele que habita na amizade do Pai na confiança e no amor,
possui a vida divina. A Boa Nova dos cristãos não é uma mera
narrativa, um escrito transmitido em quatro evangelhos falando da
morte e da ressurreição de Cristo. A religião dos cristão não é
propriamente a religião do livro, da lei e dos profetas, mas a
religião da relação viva e atual com Jesus como aconteceu no Tabor com
seus três discípulos. Assim sendo, com este episódio da
Transfiguração, Deus quer nos comunicar coragem: não ter medo, apesar
das provações, das dificuldades desta vida. Nunca se sentir
abandonado. No final da vida de cada um se manifestará na plenitude a
Aliança que o Pai concluiu com os que se salvam através de seu Filho
único, Jesus Cristo, Ele o Unigênito bem- amado No Tabor, porém
ressoou uma ordem do Pai: “Escutai-o”. E nós como temos colocado em
prática esta determinação do Pai lá no Tabor? Como temos escutado
Cristo na nossa existência cotidiana? Ele é, de fato, o Senhor que nos
conduz à vida eterna ou é somente alguém que nos ajuda no dia a dia.
Trata-se de uma questão que pode parecer simplista, mas se o cristão
volta-se para Deus apenas para os afazeres deste mundo, será como os
Apóstolos querendo fazer no Tabor três tendas. Escutemos, de fato, o
Filho amado, colocando nele a toda nossa fé. Deixemos a graça traçar
seu caminho e transformar nossa conduta em vista do tempo e da
eternidade. Cumpre passar todos os imantes escutando o que o Filho bem
amado tem a nos dizer. *Professor no Seminário de Mar

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