Paróquia Santa Rita de Cássia

A Assunção de Maria ao céu prefigura a nossa ressurreição futura. Duas
verdades de fé. Com efeito, o Papa Pio XII há 70 anos, no dia primeiro
de novembro de 1950, declarou e definiu o dogma da Assunção em corpo e
alma da Virgem Mãe de Deus à gloria celestial. Como se recita no
Credo, nós cremos na ressurreição da carne e na vida eterna. Assim
como a Mãe de Jesus, nós somos destinados ao mesmo itinerário de
glória, não obstante as vississitudes da trajetória terrena. Isto do
mesmo modo como ocorreu com a Virgem Maria. Valeu também para ela o
célebre brocardo per crucem ad lucem, frase com a qual São Bruno
resumiu a vida dos monges cartuchos, mas que vale para todo o cristão,
pois é a partir dos sofrimentos aceitos por amor a Deus é que se chega
à luz duradoura do céu. A felicidade perene passa sempre pela cruz dos
aborrecimentos e Jesus deixou claro: “Quem quiser ser meu discípulo,
renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga”. Bem sabemos quão
terríveis foram os padecimentos de sua Mãe Santíssima. A mesma Virgem,
Senhora das Dores, é aquela que hoje contemplamos “vestida de sol,
tendo a lua debaixo dos seus pés e sobre a sua cabeça uma coroa de
doze estrelas”, como lemos no Apocalipse (Ap 12,1). Não há limites nas
obras de Deus. Assim sendo, esta solenidade da Assunção de Maria aos
céus é um convite para que cada um se engaje resolutamente no caminho
da transfiguração de seu ser, condição para a ressurreição gloriosa no
último dia. Dar, a exemplo de Maria, um sim sem condições à vontade
divina, uma livre resposta à fé que leva o cristão a acatar em tudo os
desígnios de Deus. Hoje pedimos à Virgem Maria que interceda por nós
para sermos constantes nesta terra e podermos um dia estar com ela lá
no céu. Isto após vencermos as forças do mal sob a paz e a luz
resplandecentes de Deus. São João Paulo II na encíclica Redemptoris
Mater – Mãe do Redentor – assim se expressou: ‘Como é grande, como é
heroica a obediência da fé da qual Maria deu prova face aos decretos
insondáveis de Deus! Por uma tal fé, Maria se uniu perfeitamente a
Cristo no seu despojamento”. É imitando esta fé extraordinária da
Virgem, a qual foi elevada aos céus, que cada um de seus filhos deve
comemorar esta solenidade de sua entrada na glória sem fim. Deste
modo, ela estará sempre próxima das alegrias e das dores de seus
filhos peregrinos rumo à felicidade sem fim. Foi a fidelidade radical
de Maria que a levou a ser coroada na plenitude da gloria da Trindade
Santa. Eis porque Ela é a honra da Igreja, a alegria da humanidade
transformada pela graça. Sua Imaculada Conceição a preservou das
sequelas do pecado original, assim como sua Assunção a resguardou da
degradação do túmulo. Dois privilégios concedidos por Deus dado que
ela, ao conceber do Espírito Santo, o Verbo de Deus se fez carne e
habitou entre nós. Por ocasião de sua visita a Santa Isabel, no seu
hino o Magnificat, mostrou sua decisão de servir a Deus com um coração
ajustado à vontade divina. Deixou assim uma maneira de proceder para
estar para sempre gozando deste Ser infinitamente amável. Trata-se de
servir a Deus humildemente nas tarefas cotidianas; de louvar a Deus
por todos os seus benefícios, contemplando-O nas maravilhas de cada
hora. O Concílio Vaticano II nos diz que na sua assunção e sua
glorificação Maria é a imagem e o começo do que será a Igreja em sua
forma acabada no retorno de Cristo. Agindo como Maria, o cristão terá
um lugar lá no Céu na medida em que soube proclamar os louvores a Deus
neste mundo, colocando em tudo em prática o Evangelho. A luta é de
cada hora, pugna contra o diabo e seus sequazes, mas Maria, nos ensina
ainda o Concílio Vaticano II, Ela, de fato, brilha diante do povo em
marcha como um sinal de esperança certa e de consolação (LG 68).
Alegremo-nos, portanto, porque a Mãe de Jesus e nossa mãe espiritual
nos aguarda lá no céu. Matriculemo-nos, pois, na escola de Maria,
atentos a suas inspirações e, assim, ela nos acolherá um dia, após o
juízo universal, também de corpo e alma na casa preparada desde toda a
eternidade para os que souberam amar e servir a Deus nesta terra.
Trata-se então de viver na fé, na esperança e no amor a Deus e ao
próximo, numa prece contínua e em ininterrupta ação de graças.


 Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.