Paróquia Santa Rita de Cássia

O nascimento de São João Batista foi marcado por fatos extraordinários que mostraram que “a mão do Senhor estava com ele” (Lc 1,57-66.80). A seus pais, Zacarias e Isabel, já idosos, ocorre, o que era inconcebível aos olhos humanos, um acontecimento de fato inesperado. O que poderia parecer inacreditável acontece: eles teriam um filho. Isto mostra como Deus reserva aos homens surpresas inimagináveis. Nem sempre cada um reflete e repara nos acontecimentos de sua existência terrena. São fatos que retêm significado profundo, indicando que o bom e o bem estão sempre advindos para os que temem o Senhor. É preciso estar atento a tantas benesses divinas. Por entre as aflições próprias de um exílio, fulgem continuamente luminosidades que são um apelo à gratidão para com Deus.

Aliás, tal foi a mensagem que o filho de Zacarias e Isabel lançaria através de sua palavra de Profeta do Altíssimo, preparando os caminhos do Redentor: encorajanva a todos a praticar a Lei, a serem bons, a partilharem o que tinham com os mais necessitados. João Batista seria o animador da esperança, anunciando a visita daquele que viria para iluminar os que habitam as trevas e a sombra da morte, para conduzir a todos pelos caminhos da paz. Importante por ser o precursor do Messias, seus admiradores através dos tempos seriam arautos de fagueiras expectativas, jamais se curvando a um pessimismo deletério. Eis porque a festa de seu nascimento impregna os corações e as mentes de um profundo júbilo apesar das decepções e das desilusões deste exílio terreno. João significa “Deus concede graça”. É isto que Deus realiza para todos a cada hora.

O Criador, como fez nos tempos de Moisés, intervém continuamente a fim de abrir para todos um caminho de libertação. Esta, aliás, seria a tônica da pregação de João Batista que concitaria seus ouvintes a preparar o caminho do Senhor, a aplainar suas veredas, preenchendo os vales da indiferença, abaixando o monte do egoísmo, pois é assim que todo homem veria a salvação de Deus.

Os louvores a João Batista devem então levar os fiéis a receber ainda com mais fervor Aquele que veio para salvar toda a humanidade, fugindo de todo desencontro com o Salvador. Cada situação humana deve ser vivida como uma relação ininterrupta com Deus. Eis porque São Lucas ressaltou que João “crescia e se robustecia no espírito e viveu nos desertos”. Foi longe do bulício dos homens que Ele se entregou à espera daquele que viria, se disponibilizando para o encontro com o Cordeiro de Deus.

A seu exemplo é no silêncio, nos momentos de recolhimento, que cada um pode se tornar disponível para receber e fazer frutificar as graças divinas, tornando-se outro João Batista, apto a anunciar as maravilhas de Deus.

Deste modo, a festa de hoje se torna a solenidade da alegria, porque comemoração da misericórdia com a qual o Criador envolveu os progenitores do escolhido para preparar a vinda de Jesus a este mundo. Zacarias o pai de João Batista foi colocado por Deus num momento decisivo, crucial da história de toda a humanidade, pois seu filho proclamaria a presença do Messias nesta terra. Zacarias, de incrédulo, se tornou o primeiro profeta a anunciar que as Escrituras iriam já se cumprir; de mudo, ele se tornaria aquele que anuncia os louvores e as bênçãos do Todo-Poderoso.

O mundo iria se transformar e Zacarias exclama: “Tu menino, serás chamado profeta do Altíssimo, pois precederás o Senhor para preparar-lhe o caminho, ensinando ao seu povo a senda da salvação na remissão dos seus pecados, graças à entranhada misericórdia de nosso Deus”. O Messias haveria de transformar cada um que O recebesse em um homem novo, um homem segundo o coração do Onipotente.

Por tudo isto alegremo-nos nesta festividade em honra de São João Batista personagem que foi investido de uma missão tão grandiosa. Entre os filhos dos homens não há nenhum maior do que ele, como afirmou o próprio Cristo (Mt 11,11). João Batista se apresenta diante de nós, realmente, com uma dignidade eminente, única nos anais dos povos. Louvemos com fervor este santo admirável, mas, sobretudo, procuremos imitar suas virtudes e, entre elas, sua profunda humildade. Assim, um dia, estarem com ele lá no céu por toda a eternidade. 


Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho

Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.