Paróquia Santa Rita de Cássia

O episódio da mulher adúltera ostenta, ainda uma vez, a notável
misericórdia de Jesus, que, como admirável 0tornes a pecar” (Jo 8,
1-15). Como de costume, quando o Filho de Deus vinha a Jerusalém,
assentado no adro do Templo, Ele se punha a ensinar a multidão que o
cercava. Desta vez, bruscamente, Ele foi interrompido por um grupo de
escribas e de Fariseus, que lhe trazem uma mulher surpreendida em
adultério. Lembram então ao Mestre divino que Moisés ordenou que se
apedrejasse tais mulheres e indagam “Tu que dizes?”. Uma armadilha bem
armada, pois se Jesus respondesse que a deixassem ir em paz, seus
interlocutores o acusariam de contradizer a Lei mosaica. Se Jesus a
deixasse que ela fosse punida até a morte, Ele estaria indo contra a
autoridade romana a quem estava reservada naquela época, todas as
execuções capitais. Daí ser capciosa a indagação que lhe fizeram: “Que
dizes tu”? A resposta não veio. Jesus se abaixou e escrevia no chão
sem olhar a ninguém como que absorvido em seus pensamentos. Ao redor
dele os Fariseus começavam a se enervar. Jesus então falou: “Quem
dentre vós jamais cometeu pecado, atire-lhe a primeira pedra”.
Resposta maravilhosa vindo da sabedoria do Filho de Deus! Jesus de
novo se abaixou para escrever no chão e seus interlocutores, a começar
dos mais velhos foram saindo ficando Jesus a sós com a mulher e não a
condenou, mas recomendou que ela não voltasse a pecar. Que então ela
renunciasse à sua paixão desregrada, a seus desejos maléficos, mas
fosse fiel à lei divina todos os dias de sua vida, movida por uma
conversão sincera fruto da bondade, da misericórdia divina que a
perdoara. Todas as vezes que ela pensasse em se deixar levar pelo mal
ela deveria reviver na sua mente o encontro com Jesus no Templo e o
sadismo de seus acusadores que brutalmente a acusavam. Jesus tão calmo
escrevendo, não se sabe o que no chão, afirmando que Ele não a
condenava e que ela fosse em paz passasse a ter uma vida correta. Do
encontro com Jesus deve sempre resultar uma total mudança de vida,
tocado cada um pela sua infinita bondade. É olhar para a Cruz prova
definitiva de sua benignidade sem limites e nunca se deixar paralisar
pela própria miséria, mas se envolver por sua comiseração ilimitada,
buscando sempre as veredas luminosas da virtude, longe das trevas do
mal. É preciso também aprender com Jesus a não simplesmente condenar
os outros, mas a se examinar a si mesmo e a partir desta atitude fazer
surgir uma renovação espiritual intensa. Nada de se julgar superior
aos outros, mas sempre estar num processo de conversão total dos
próprios defeitos. Remarquemos bem a atitude de Jesus com a mulher
adúltera, dado que não somente Ele a salva dos julgamentos dos outros
e a preserva da morte, mas a anistia e lhe mostra uma vereda nova a
trilhar. É preciso rever nossas próprias atitudes não julgando
precipitadamente os outros, não causando divisões, mas reparar todo o
mal, indicando caminhos novos de virtude a serem vividos. Tenhamos
coragem de nós mesmos de percorre-los para depois mostrar aos outros a
vereda a ser percorrida. Os mandamentos levam uma ética rigorosa, mas
as atitudes humanas devem ser analisadas com compreensão, abrindo
brechas para um procedimento correto nas atitudes futuras que deverão
estar bem de acordo com os preceitos divinos. Uma ética bem
interpretadas levará sempre ao respeito do outro e ao respeito da vida
o que faltava aos acusadores da adúltera que acertavam em condenar o
pecado, mas não tinham comiseração com pecadora. Condenar sempre a
infração dos preceitos divinos, mas procurar salvar quem errou. Sábia
a atitude de Jesus perante a pecadora, mas os acusadores dela se
colocavam eles mesmos em processo contra a lei de Moisés. Tanto isto é
verdade que reconhecendo sua culpabilidade foram indo embora a começar
dos mais velhos. Surgiu então a novidade de Cristo, de sua
misericórdia que cria corações novos e converte a pecadora, mostrando
assim que ela era uma filha de Deus. Culpada, mas perdoada Qu9e
alegria, que paz não deviam ter tomado o coação daquela pecadoras!
Jesus a liberta do pecado do qual ela se tornara escrava. O passado
havia desaparecido e um futuro maravilhoso se abria a sua frente! O
salário do pecado é a morte, mas perante Jesus jorra a graça, dom
gratuito de Deus que leva a vida eterna. Jesus Cristo é o senhor que
salva e oferece uma vida nova.

Professor no Seminário de Mariana
durante 40anos.