Paróquia Santa Rita de Cássia

De uma maneira maravilhosa Jesus nos fala sobre a nossa união com Ele
(Jo 5,1-8). Duas assertivas entretanto merecem, de início, nossa
atenção: “Sem mim nada podeis fazer”, declaração peremptória; e uma
promessa admirável “Quem permanece em mim e eu nele produz muitos
frutos”. Quem deseja ser verdadeiramente cristão não pode ficar
indiferentes a tais palavras deste Mestre divino. Ou tudo com Ele e
sem Ele nada. Isto por que Ele é a verdadeira vinha, uma vez que é
aquele que corresponde plenamente à confiança que Deus havia colocado
no povo escolhido, mas que, ante suas infidelidades e recusas
estéreis, teve que se queixar: “Que mais poderia fazer pela minha
vinha que não o tenha feito? Porque esperando eu que me desse boas
uvas, produziu apenas agraços, isto é, uvas verdes? (Is 5,5). Não
obstante tudo isto, depois de tantos profetas rejeitados, de
idolatrias irrisórias, de favores malbaratados, crimes vergonhosos,
Jesus desceu do céu à terra afirmando “Eu sou a verdadeira vinha”, Ele
o justo, o santo, o bem amado do Pai, a vinha por excelência. Vinha
única e universal ou, no dizer de Santo Agostinho, “o Cristo total”
que quis reunir toda a humanidade salva por Ele, que é a fonte da
verdadeira vida. De fato, literalmente a seiva da vida do homem
regenerado, por que nele é que o Pai faz de nós seus filhos adotivos
(Rm 8,15). Graças a Ele somos concidadãos da casa de Deus (Ef 2,20),
formando o que a Escritura chama com toda razão a vinha do Senhor. Seu
Pai é o divino agricultor que quer cultivar esta vinha até os confins
da terra. Na Cruz Cristo se tornou, de modo especial, na expressão dos
escritores místicos, este cacho esmagado, quando ofereceu para a
humanidade a bebida da vida eterna. Cada dia aqui na terra o vinho da
sua vinha se torna o sangue na admirável transubstanciação em cada
Missa que é celebrada e, lá no céu, o vinho novo no Reino de seu Pai
nas bodas eternas. Sublime a comunhão eucarística de cuja plenitude
recebemos graça sobre graça. Como escreveu São Paulo, nele habita,
conjunta com a humanidade, a plenitude da divindade e nele temos
plenamente tudo (Cl 2,9). Ora se, assim é, só nos resta uma profunda
gratidão. Grande o amor do Pai que quis plantar nesta terra esta Cepa
divina , enviando seu Filho único (Jo 3,17) Deste modo, por Ele, com
Ele e nele, todos podemos receber e partilhar a Vida, sua Vida divina.
Entretanto, o mais belo deste maravilhoso mistério não é somente que o
Senhor se fez Ele mesmo por nós a verdadeira vinha, mas desejou que
nos tornamos nós mesmos sua própria vinha, uma vez que Ele é nossa
cepa e nós somos seus ramos. Nossa genealogia está nele. Quem nos
criou também nos regenerou! Nunca se medita demais nesta sublime
realidade. O cristão se apoia neste fundamento e nunca, portanto,
está isolado, abandonado. Está ligado a um tronco que o suporta,
achando-se insertado diretamente na vida divina que nele corre. A
existência do cristão verdadeiro, portanto, é útil e boa porque
repleta de esperança e de sentido. Cumpre então que ele dê muito
fruto. Grande e prodigioso mistério. Vivemos, nos movemos, agimos,
sofremos e morremos, mas Cristo está sempre conosco, pois Ele vive,
age, sofre e morre em nós. Ele é a semente, a seiva que está no
batizado. A vida eterna lhe é garantida numa grandiosa esperança
porque os germes da ressurreição estão já inscritos nos seus corações.
Tudo isto é verdade e nós podemos dizer que nós vivemos nele, porque
Ele mesmo vive em nós (Gl 2,20). Eis porque sem Ele nada podemos
realizar de proveitoso para a vida eterna! A verdadeira vida do
cristão é, portanto, tudo fazer por estar em contínua união com
Cristo, sendo ininterruptamente fiel a seus mandamentos. Feliz o
batizado que observa tudo que Jesus preceituou nele continuamente
crescendo e amando sinceramente o próximo. Lembra então São João que
aquele que é fiel ao divino Redentor mora em Deus e Deus nele (1 Jo
3,23-24) Eis porque somente o amor vivido em ato e em verdade e a
marcha no caminho de Jesus sob a luz da fé dão sentido e valor à
existência humana. O importante é a autenticidade da vida do batizado.
Cada instante de sua existência bem vivida. Então, sim, está aí alguém
que pode dar bons frutos. Para que tudo isto ocorra é preciso que o
homem exterior se vá desfazendo em nós e o homem interior vá se
renovando dia a dia (2 Cor 4,16). Nunca agradeceremos demais ao
Senhor por ser Ele a verdadeira vinha e que Ele faça sempre de nós uma
vinha digna dele, fiéis a seus mandamentos, jamais nos separando dele.
É necessário estar atentos à presença da seiva divina em nós para
poder dar bons frutos. Esperá-los, porém humildemente, pacientemente,
pois eles virão na hora demarcada por Deus, desde que haja total
fidelidade à ação da graça divina. Isto é que se deve examinar à hora
das orações, sobretudo no instante da Comunhão eucarística. Então se
verá se a união com Cristo está repercutindo por toda parte Quem vive
em união mística com Jesus deve dar furtos onde quer que esteja. *
Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.