Paróquia Santa Rita de Cássia

Depois de aclamar Jesus com nossos ramos, o Evangelho de sua Paixão e
Morte dá início à mais uma Semana Santa. São Lucas deixou claro o
desejo de Jesus de estar com seus discípulos:” Eu desejei ardentemente
comer convosco esta páscoa, antes de padecer” (Luc 22,14-23). Na
última ceia Ele oferece sua vida que na cruz entregaria. Jesus é, de
fato, o verdadeiro Cordeiro que oferece sua vida pela salvação de
todos os homens. Com seu desejo ardente Ele nos oferece seu derradeiro
testamento, a saber, a divina Eucaristia. Realiza maravilhas: na sua
ação de graças, oferece seu Corpo e Sangue e garante sua presença
contínua junto aos seus. Tudo isto devendo levar a um anelo ardente de
uma ardente adoração a Ele presente no Sacramento da Eucaristia. Todos
os atos da Grande Semana recordam como Jesus é verdadeiramente o Filho
de Deus que nos ama e santifica, demonstrando um amor que foi até o
fim Como asseverou São João Maria Vianey, o Cura d” Ars” Morrendo
amando e amando morrendo”. Ele veio para livrar os homens do mal e
nossa alegria é enorme ao contemplarmos com que simplicidade Ele
entrou em Jerusalém para cumprir sua sublime missão. Ele se fez um de
nós, conhecendo neste mundo os sofrimentos humanos, entre os quais a
violência que se multiplicaria em tantos lugares deste mundo. Por tudo
isto também depositamos nele nossa mais absoluta confiança, procurando
retribuir com muito amor tudo que Ele sofreu, fruto de sua imensa
dileção. Jesus é verdadeiramente nosso Rei, mas Ele reina pela Cruz.
Nesta Semana Santa é preciso aclamar Jesus, louvando-O em seu caminho
de sofrimento e de abatimento, acolhendo todas as mensagens destes
dias abençoados. Demos a Ele um amor incondicionado. Estejamos
dispostos a ir com Ele sem O negar como fez São Pedro, negando-O três
vezes! São Pedro não era o mais fraco de todos, mas representava a
todos nós em nossas fragilidades. Jesus, porém, quer ir além das
mesmas para sempre nos perdoar. Ele é o Emanuel, Deus conosco em todas
as circunstâncias de nossas vidas, pois em todas elas Ele se acha ao
nosso lado. Que quer então o Pai? Que nenhum de nós se perca (Jo 6,
37-40). A vontade de Deus é participar de todos os sofrimentos
humanos, de toda tristeza do homem, para disto o arrancar, amenizando
seus padecimentos. Jesus não é um dominador, mas o servidor que tudo
transfigura a bem de suas pobres criaturas humanas. Cumpre, porém, se
identificar com Cristo sofredor nele crendo fielmente. Ser cristão é
estar unido a Jesus sofredor, abrindo-se cada um à contemplação de
suas dores e isso conduz fatalmente à união com Ele, à humildade,
esvaziando-se cada um de si mesmo. Sobretudo na Semana Santa cumpre
contemplar aquele que se fez servidor e escravo, aquele que veio dar
sua vida em paga pelos pecados de uma multidão, Ele é Senhor para a
glória de Deus Pai. Seu caminho feito de humildade é bem aquela vereda
de um rei que perdoou os que o maltratavam, um rei que oferece a todos
um futuro feliz, uma senda de vida e, por isto, Ele se entregou a tão
terríveis sofrimentos e cabe, por isto, a nós nos entregarmos a Ele
com toda a sinceridade de nosso coração. Na Semana Santa contemplamos
que a missão de Cristo foi inteiramente cumprida, mas Ele morrerá,
triunfando completamente da morte. Esta questão do triunfo de Jesus,
não obstante tantos sofrimentos, é porque Ele é um rei sofredor, mas
vitorioso sobre a morte, como sua ressureição mostrará claramente.
Cumpre então aguardar as alegrias do próximo domingo da Pascoo do
Senhor. Coloquemos nossos passos nos passos de Cristo sofredor para
podermos conhecer o júbilo de seu triunfo. Deste modo a Semana Santa
será verdadeiramente frutuosa com a conversão e a presença de Jesus em
cada um de nós. Exploremos ao máximo toda riqueza espiritual que o
Tríduo Pascal nos oferecerá. A quinta feira santa com a memória da
eucaristia e do sacerdócio. A sexta feira. Santa consagrada à prece e
ao jejum faz memória da morte da paixão de Cristo. O sábado santo, o
dia de se aguardar em santa expectativa as alegrias da Ressurreição de
Jesus, Deus vivo e verdadeiro fonte de toda a vida.

Professor no
seminário de Mariana durante 40 nos.