Paróquia Santa Rita de Cássia

Clara a promessa de Jesus: “Eu estarei convosco todos os dias até fim
dos tempos” (Mt 28,16-20). Depois destas palavras os discípulos O
viram se elevar e desaparecer a seus olhos em uma nuvem. Cristo havia
terminado seu percurso nesta terra ao lado de seus apóstolos e sua
preleção acabara neste mundo e se dá então sua admirável ascensão aos
céus onde está assentado à direita de Deus. Jesus era bem o Messias
prometido por todos os profetas. Entretanto, sua partida para o céu
não significou que tudo estava terminado e que não seríamos órfãos do
Mestre divino. A palavra de Jesus não terminara aqui em baixo na
terra. Ela vai continuar mais do que nunca, dado que os onze apóstolos
receberam a missão de ir pelo mundo inteiro para proclamar a Boa
Nova. A palavra de Jesus que durante sua vida terrestre tinha se
confinado em Jerusalém e na Galileia, não tendo ultrapassado a não ser
excepcionalmente as fronteiras do pais, agora ela iria se expandir em
todo o império romano. O Livro dos Atos dos Apóstolos que nos relatam
o trabalho das primeiras comunidades cristãs nos revela que não
somente a Palavra de Deus vai atingir o mundo inteiro, mas ela contudo
não perderá nada de sua eficácia. Sobretudo os apóstolos Pedro e
Paulo não somente anunciam a mensagem de Jesus, mas eles também fazem
milagres tão admiráveis como aqueles do divino Mestre. Com efeito,
eles curam os cegos, os coxos e mesmo até ressuscitam mortos. Os
corações deveriam se abrir à sua luz para fazer compreender a
esperança que traz consigo seu apelo, a glória sem preço da herança
que deviam partilhar com os fiéis e o poder infinito que tocaria os
que acreditassem.

A misericórdia e o poder do Senhor não haviam terminado para os
homens, porque Jesus se fora para junto do Pai. Bem, ao contrário,
mais que nunca, embora ausente, Jesus continuaria sua obra entre seus
discípulos, ou mais precisamente pelos seus apóstolos. Se as
maravilhas e os milagres divinos continuavam a se manifestar aos
homens é que os discípulos com toda a sua Igreja seriam os
continuadores da obra de Jesus e, mesmo melhor, a Igreja que é o corpo
de Cristo e por ela é Cristo que continuaria sua obra. É certo que
Jesus foi elevado corporalmente diante de seus discípulo, mas
continuaria a lhes falar e agir com eles e por eles de uma maneira
inteiramente nova. Eis porque o Evangelho de hoje coloca em seus
lábios estas palavras: “Eu estarei convosco todos os dias até o fim
dos tempos”. Mesmo assentado à direita do Pai, Cristo continuaria a
agir, estando Ele no coração de sua Igreja. De uma certa maneira Ele
está muito menos ausente do que se possa imaginar. Eis porque Ele deu
a entender a seus discípulos que seria mais vantajoso que Ele se
fosse. Ele estaria, porém, com eles até o fim dos temos, até o seu
retorno em sua glória. Cumpre, pois, compreender o mistério da
Ascensão tendo em vista duas realidades que parecem opostas. De uma
parte, nos era proveitoso que Jesus fosse para junto do Pai e de outra
parte também sua ausência aparente, que esconderia sua presença, era
útil, pois se Ele nos deixava fisicamente era para nos estar presente
espiritualmente de uma maneira mais eficaz. Toda narrativa dos Atos
dos Apóstolos tende a demonstrar a veracidade desta dupla afirmação
que parece contraditória. No início dos Atos dos Apóstolos, a
narrativa que nos é feita da primeira comunidade cristã nos mostra que
os discípulos não compreendiam ainda plenamente esta realidade da
presença espiritual e ativa de Jesus na sua Igreja. Até o dia de
Pentecostes os apóstolos ficavam fechados em casa, tinham medo. Seria
preciso que a promessa de Jesus se realizasse, promessa de lhes enviar
o Espírito Santo. Esse lhes daria então não somente a lembrança de
Jesus e de suas palavras para anunciarem a Boa Nova aos homens, mas
seria em seu coração e na sua vida a força e o poder do Mestre divino.
Isto fará mais do que cobrir o vazio deixado pela sua partida, pois é
isto que fará da Igreja o Corpo Místico de Cristo e cobriria
espiritualmente a distância criada pela partida física de Jesus.
Espiritualmentev a partida de Cristo e a vinda do Espírito Santo fazem
que Jesus esteja hoje mais presente em sua Igreja e em cada um de nós,
porque na Igreja nós somos o Corpo de Cristo. Deus Pai lhe a tudo
submetido e O colocando no mais alto que tudo Ele fez dele a cabeça da
Igreja que é seu corpo e a Ele Deus O cumula totalmente de sua
plenitude. Tornar-se cristão será pois para nós, antes de tudo crer,
que Cristo Jesus não está ausente de nossas vidas. Professor no
Seminário de Mariana durante 40 anos.