Paróquia Santa Rita de Cássia

A entrada solene de Jesus em Jerusalém mostra que, embora fosse o
início de uma caminhada que terminaria no Calvário, ela deveria ser,
de fato, como a de um Rei. Esta homenagem aumentou de muito a
responsabilidade daqueles que O julgariam sem lhes deixar nenhuma
escusa. São Marcos apresenta-O como Rei servidor e Profeta. Foi,
realmente uma apoteose sem precedentes. Tão logo o Filho de Deus se
pôs em marcha inúmeros os que estenderam suas vestimentas para a
passagem do grande soberano, outros cortaram ramos das árvores e os
espalharam naquela via real Um cortejo triunfal com magníficas
aclamações: “Hosana, bendito seja aquele que vem em nome do Senhor!
Bendito seja o reino de nosso Pai Davi, que vem. Hosana no mais alto
dos céus!” Hosana”, isto é, como está no profeta Isaias: “o Eterno é
nosso Rei, Ele nos salvará” (23,22) ou no Salmo 118 “Salva-nos,
Senhor! Nós vos imploramos. Faze-nos prosperar, Senhor! Nós vos
suplicamos. Bendito é o que vem em nome do Senhor” (118:25), Era sob a
ação do Espírito Santo que os discípulos aclamavam Jesus como rei e
salvador no que eram acompanhados pela multidão. Pouco depois, porém,
o povo em gritos desejaria sua morte, mostrando quão volúvel é o juízo
popular. Ficaria somente como recordação daquele espetáculo o escrito
de Pilatos sobre uma cruz ignominiosa no alto do Gólgota, como
testemunho da realeza de Cristo. O povo então a aclamar “Nós não temos
outro rei senão César” (Jo 19 15.20). No decorrer desta Semana Santa,
cumpre refletir que, através de sua Paixão e pelo seu Amor, Jesus foi
fiel até à morte, fiel a sua dileção infinita ao Pai, fiel a seu amor
infinito por todos nós apesar das infidelidades humanas. Pela sua
Paixão aceita livremente, Jesus veio quebrar o dinamismo de morte que
está no homem e o dinamismo do pecado que se acha enraizado no ser
racional. Pecado que conduziu os escribas e os fariseus ao ódio e que
levou Pilatos ao medo. Pecado que lançou os discípulos ao sono s à
fuga, Pecado que levou Pedro, covardemente, a renegá-lo. Face a estes
desastres ocasionados pelos erros dos homens e ante uma espiral de
violências, Jesus não deixou de ser aquele que ama e amará até o fim,
mesmo do alto da Cruz, tendo sempre um olhar de amor. Ele nos convida
a retribuir a este amor, a viver em função de uma grande dileção a
Ele. Nesta semana veremos ainda uma vez que tendo chegado a hora em
que se sacrificaria pela humanidade, percebendo que o golpe final se
aproximava, Jesus entrou em agonia, se viu abandonado. Entretanto, não
obstante tanto sofrimento, tanta angústia, Ele não recuou. Sua morte
foi uma morte doada, como sua vida foi uma vida ofertada totalmente à
missão que lhe havia confiado o Pai. Recordemos nesta semana como a
cruz, instrumento de sua paixão e de sua morte, se tornou um sinal
para seus verdadeiros seguidores, ela que se fez o trono de sua
glória. Lembremo-nos que grande foi a humilhação de Cristo diante de
seus opressores, mas não nos esqueçamos de que esta humilhação foi
profética, anunciando a salvação do gênero humano. Fato, realmente,
maravilhoso dado que um Rei reinou se fazendo servidor. Um Soberano
que renunciou seus privilégios porque muito nos amou. Este Rei não é
como os outros reis, mas um monarca que quer permitir aos outros serem
felizes, que quer fazê-los participar de seu força. Um Rei cujo poder
é uma potência de dileção sem limites. Portanto, nesta Semana Santa,
contemplando o trono de sua glória, a Cruz, nos deve levar a entrar na
lógica bendita desta ternura incomensurável, uma atitude que conduz à
entrega do dom desse acolhimento dos que são irmãos regenerados pelo
mesmo sangue divino. Arrependimento cabal de todos os pecados, um novo
programa de vida que revele total gratidão Àquele que tanto nos amou e
ama. Saibamos retribuir ao amor de Jesus Cristo, Messias e Salvador.
Soberano de um reino novo. Isto porque Ele estabeleceu um reino de
justiça e de paz no qual devemos viver, correspondendo sempre a tanta
generosidade divina. Ele veio a este mundo para dar testemunho da
verdade. Não obstante, esta demonstração O levou à morte porque seus
contraditores e todos os pecadores através dos tempos têm recusado
esta verdade. Sobretudo, por tudo isto, durante a Grande Semana em
todas as suas cerimoniosa é preciso refletir sinceramente se Ele tem
sido para cada um de nós “o Caminho, a Verdade e a Vida”. É necessário
deixar de lado as preocupações terrenas e estarmos convencidos de que
a salvação de cada um de nós custou o sacrifício de um Deus feito
homem. De fato, lutar para que Jesus seja, realmente, aclamado, amado,
exaltado. O verdadeiro cristão não pode estar sujeito a um mundo, como
outrora aquele que julgou tão mal Àquele que só irradiou amor, quantos
a repetirem numa injúria inominável em pleno século vinte e um ao
olhar para a Cruz Redentora: “Salva-te a ti mesmo”, mas repitamos do
íntimo do coração: “Verdadeiramente Este era Filho de Deus”, e em
consequência, seja sempre Jesus a razão de ser de nossas vidas. *
Professor no Seminário d Mariana durantes 40 anos.