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JESUS NÃO TINHA ONDE RECLINAR A CABEÇA

Nesta passagem de São Lucas (Lc 9,51-62) se percebe que tudo se punha
em movimento e acelerava em torno de Jesus. Os acontecimentos se
multiplicavam e são curtas, densas e rápidas as atitudes de Cristo.
Pelo caminho o Mestre divino faz referência a Ele, asseverando que o
Filho do homem não tinha onde repousar a cabeça. Cumpre segui-lo e
colocar–se na trilha do Reino, eis o que mais importava. Os fatos que
em torno dele se multiplicavam eram breves, incisivos. Segui-lo era
se colocar na trilha do Reino num completo despojamento de si mesmo. A
seus interlocutores Ele dizia claramente: “Tu vai anunciar o Reino de
Deus” e alertava: “Aquele que põe a mão no arado e olha para trás não
é digno do Reino de Deus”. Jesus ia para Jerusalém e lhe era
necessária muita coragem para enfrentar os sofrimentos que O
aguardavam na plena consumação de sua obra redentora. Era este o seu
objetivo primordial. É isto que deve fixar o seu seguidor, pois é a
isto que se liga essencialmente o plano redentor o qual exige
sacrifício da parte daquele que deseja a regeneração pelo seu sangue
redentor. Entrar no Reino no qual Cristo é o Rei requer, de fato,
disponibilidade, pois a porta que leva a esta salvação é estreita e
pede muita determinação e abnegação, como aconteceria com o próprio
Filho de Deus. Cumpre viver em plenitude a realidade desta trajetória
salvífica. Jesus foi claro: “Se alguém quer ser meu discípulo,
renuncie a si mesmo tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16,24)). A
existência do cristão supõe, portanto, renúncia e união com o Mártir
do Gólgota. Tratava-se da realização do projeto de Deus. Jesus iria
passar deste mundo ao Pai e para isso Lhe era preciso ir até o fim de
sua obra de amor, enfrentando os lugares mais hostis, visitar os
recônditos mais violentos e tenebrosos do coração humano. Imitá-lo não
é fácil porque isto pede que reconheçamos as partes sombrias, débeis
de nossas fraquezas O caminho foi áspero para Aquele que nos amou até
o fim e será assim para aquele que deseja verdadeiramente amá-lo.
Dentro destas considerações se compreende ainda melhor a recusa dos
samaritanos e a reação de Tiago e João estes “filhos do trovão” que se
inscreviam na tradição do profeta Elias (1Reis 18,20-40). Naquele
momento o que acontecia com Jesus mostrou da parte dele a decisão
firme, uma visão determinada, pois Ele visava manifestar que o amor
não persevera senão na extrema disponibilidade com gestos e palavras
de paz e de perdão. Portanto, que venha sempre sobre nós a doçura do
Senhor nosso Deus! Colocar em prática todas estas lições do Mestre
divino é deparar a paz interior, a tranquilidade, pois para que
sejamos livres é que Jesus nos libertou por palavras e exemplos. Ser
discípulo dele pressupõe agir sempre à luz de um amor absoluto às
coisas espirituais, a entrega absoluta à evangelização. É isto que dá
sentido à liberdade cristã. Esta leva à autentica felicidade e
capacita o seguidor de Cristo a fazer os outros felizes. A liberdade à
luz do amor de Cristo não consiste em fazer o que se quede, mas o que
o Deus deseja seguindo os passos de Jesus que afirmou:” Eu desci do
céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me
enviou” (Jo 6,38). Esta liberdade não pode ser um pretexto para o
egoísmo mas, ao contrário, deve levar, por amor ao serviço dos outros,
na alheta de Jesus que pôde asseverar: “Eu não vim para ser servido,
mas para servir” (Mt 20,28). São João decodificou magnificamente estas
palavras de Jesus ao dizer: “Eis como reconhecemos o amor: Ele, Jesus,
deu sua vida por nós. Nós também devemos dar nossa vida por nossos
irmãos” (1 Jo 3,16). Cumpre sempre reconhecer que o cristão foi feito
para amar e se imolar numa dedicação integral ao serviço do Evangelho.
Isto porque o batizado deve buscar ativamente sempre a felicidade do
próximo e isto se dá procurando o reino de Deus e sua justiça, porque
tudo o mais é dado por acréscimo (Mt 6,32-33). É de se notar que
buscar o reino de Deus é em si um ato de fé e de confiança, é crer que
da fidelidade ao Evangelho só pode resultar felicidade para si e para
os outros. Em síntese, Jesus deseja que seu seguidor não se apoie em
suas seguranças existência por amor, porque seu desejo é de fazer de
nós filhos eleitos para a vida eterna.

Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

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