Necessidade da conversão

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O alerta de Jesus deve ecoar no fundo dos corações de seus seguidores: “Digo-vos eu, se não emendardes perecereis todos igualmente”. Esta sentença Ele a ilustrou com a parábola da figueira infrutuosa, que, se permanecesse sem dar fruto, deveria ser cortada (Luc 13, 1-9). Galileus tinham sido sacrificados por Pilatos foi a notícia que trouxeram a Cristo, tendo este lembrado aqueles dezoito sobre os quais caíra a torre de Siloé. Estes episódios serviram para que o Mestre divino corrigisse a opinião popular que prevalecia naquele tempo segundo a qual os males eram sempre sinal da culpabilidade perante Deus a castigar os maus.

Julgando assim, os erros próprios ficavam ignorados. Era esta a primeira lição ministrada por Jesus que mostrava serem todos são pecadores e que deveriam, portanto, mudar de vida. Cada um é responsável pelos seus atos. Deus, porém, é misericordioso e, através do profeta Ezequiel, Ele afirma não quer a morte do iníquo, mas que ele se converta e tenha a vida. Se o pecador realmente se aparta das iniquidades que cometeu e faz o que é justo e reto, ele restitui a vida a si mesmo.

Donde o apelo divino: “Voltai atrás, convertendo-vos de todos os vossos delitos, e a iniquidade não se tornará a vossa ruina” (Ez 18, 25. 30). Cada um é responsável pelos seus atos e daí a urgência da mudança de vida. Como fica claro na parábola da figueira Deus dá oportunidade para que o pecador “se retraia do seu caminho e viva’ (Ez 33,11). Daí a importância da penitência e da esmola que levam à consciência da própria fragilidade e fraqueza. Isto colocando em Deus a mais absoluta confiança. Eis aí o ponto fulcral da conversão. Admirável é a paciência divina, a qual, entretanto, aguarda sempre o resultado do esforço humano, pois o “Senhor é compassivo e entranhável, paciente e rico em bondade” (Sl 102,8). Não se pode, porém, abusar da misericórdia divina, pois, do contrário, a árvore será cortada e lançada ao fogo. Donde ser urgente a necessidade da conversão.

Deus retribui a cada um segundo suas obras. A Igreja oferece um terreno fértil através dos sacramentos, da fé, da esperança, da riqueza da vida fraterna e do devotamento aos irmãos e irmãs, para que surjam frutos de paz e alegria. O Senhor é misericordioso e oferece oportunidade a todos para uma renovação espiritual contínua, mas espera o vigor e a autenticidade da resposta cotidiana de cada um. Um elemento basilar da esperança do discípulo de Jesus é que na sua paciência Deus espera a correspondência dos que Ele agracia com seus favores.

Daí a necessidade da energia espiritual baseada em profunda humildade, simplicidade e coragem, perseverando o cristão no caminho das boas obras. É o sim que deve ser dado a Deus, tornando a vida fecunda e repleta de merecimentos para a eternidade. O tempo quaresmal oferece oportunidade para o rompimento radical com o pecado em busca da redenção salvadora. Deus espera corações voltados inteiramente para Ele, envoltos na luz de suas graças. É necessário então um exame sincero da própria situação, da maneira de viver perante Deus.

Cumpre uma sadia inquietação para que se possa sair do torpor religioso, despertando para uma nova vida. Jesus, contudo, estará ao lado de seu seguidor, lhe estende a mão e o conduz para uma completa revisão de sua existência, visando o progresso na santidade. Jesus invectiva não para condenar, mas para que se deixem de lado as ilusões terrenas, os falsos ídolos que impedem que se possa caminhar livremente em busca da própria perfeição. Ele imprime o desejo da verdade numa relação verdadeira com Ele, com os irmãos e irmãs.

Surgem desta forma cristãos que são gente de fé, de comunhão, abertos à união com Deus que oferece sua completa redenção, apesar de toda a pequenez humana. A quaresma é todo um programa de propostas severas que podem até desconcertar os que se deixam levar pela indolência que é obstáculo à produção de bons frutos.

A decisão é pessoal e este é o tempo da graça que é concedido a cada um. Um apelo para uma imersão na misericórdia do Pai. Sua bondade se torna o dom de uma coragem persistente na qual se encontra a energia da inspiração necessária para a purificação interior.

Deus com suma solicitude está ao lado daquele que se deixa levar pelo anseio de produzir bons frutos e não ser como a figueira estéril. Para que todas as maravilhas divinas se reflitam na vida de cada um é preciso, porém, pedir a Maria, a Mãe de Jesus, sua ajuda, pois nela “a graça divina não foi improdutiva”.

Ela nos tornará portadores de Deus, fecundos em virtudes, auxiliando a todos neste tempo quaresmal a se entregarem a uma profunda e necessária conversão.


Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho

Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

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