Paróquia Santa Rita de Cássia

Entre aqueles que abordaram Jesus enquanto Ele ia pelo caminho, de
repente, surge um homem que, de joelhos, se pôs diante dele. Estava
agitado Certamente iria solicitar a cura de algum doente ou outro
favor estupendo como os muitos que Cristo já fizera. Nada disto! Ao
Mestre divino aquele homem apresentava, inesperadamente, uma questão,
em si, de grande importância: “Que devo fazer para alcançar a vida
eterna?” (Mc 10,17-30) De plano, poderíamos pensar que Ele estava
psicologicamente abalado, pois quem se julga equilibrado
emocionalmente não tem necessidade de pensar com agitação numa vida
eterna. Ou quem sabe se tratasse de alguém que tendo tudo para viver
podia se dar ao luxo de sonhar com uma outra vida além túmulo.
Entretanto, na verdade, estas explicações não passariam de um
esclarecimento forjado. É preciso entender a questão apresentada como
partindo de alguém realista, ou seja, tratava-se de alguém que, desde
agora, queria um caminho seguro para atravessar com total êxito a
morte, alguém que desejava com as coisas que passam construir desde já
algo definitivo. Se penetramos a fundo no problema suscitado, passamos
a perceber que, de fato, temos precisão de refletir em salvaguardar
com boas ações o que virá após a morte e que vai durar para sempre. A
maturidade espiritual deve ser uma preocupação constante de quem crê
na vida eterna, pois não sabemos nem o dia nem a hora em que
deixaremos este mundo. Neste caso a questão então apresentada merece
toda atenção. Um balanço no nosso trabalho apostólico, no cumprimento
dos deveres de cada hora, o bom aproveitamento do tempo de vida que
Deus vai concedendo a cada um. Jesus deixou uma orientação preciosa:
observar os mandamentos, fazendo sempre o que agrada a Deus, o que é
bom e digno de quem recebeu o batismo e vive imerso nas graças divinas
Aquele homem de joelhos diante de Jesus pôde afirmar que praticava o
que era do agrado de Deus, o que era bom e perfeito e isto desde sua
juventude. Programa que, aliás, qualquer batizado deve seguir em todos
os instantes de sua vida. Àquele que assim já procedia Jesus propõe
algo mais além de sua fidelidade, uma nova sabedoria cristã, indo além
do afeto às coisas terrenas, indo além do poder e da vontade de
possuir o que é deste mundo, ou seja, um total desapego de tudo o que
é desta terra, um apego somente ao que é sobrenatural e isto por amor
inabalável e exclusivo do Divino Mestre e dos bens celestiais. Quem
bem examina sua vida certamente deparará algo que ainda não é
inteiramente de Deus. Isto, porém, ocorreu na existência de tantos
santos que souberam explorar com discernimento o desapego de que falou
Jesus a seu interlocutor. Não é fácil atingir o cume da perfeição
cristã num seguimento radical do sábio Mestre. A todos, porém, cumpre
examinar sempre como se tem observado o decálogo, constante
inteiramente em professar as inspirações do Espírito Santo, sabedor de
que quem não é fiel no pouco não o será também no que Deus pedir a
mais na trajetória rumo à vida eterna. Lealdade completa às diretrizes
da Igreja, aos ensinamentos do Papa, longe das enganosas evidências de
tudo que é hostil aos desígnios de Deus. Cristo completou seu
ensinamento perante os apóstolos dizendo que condenável é, contudo, o
endeusamento das riquezas deste mundo. É preciso todo cuidado em viver
as Bem-aventuranças com corações voltados para a eternidade. É
preciso não se deixar absorver por algo terreno que comprometa a
entrada no reino celeste. Seja como for, o principal é estar desligado
afetivamente dos bens materiais para poder dizer na verdade que se é
seguidor de Jesus. Este espera uma total renúncia daquilo que é
terreno, passageiro, ilusório. Saibamos sempre fazer ecoar no fundo de
nosso coração os apelos de Cristo. O personagem do Evangelho de hoje
foi embora triste, exatamente por causa de seu apego a sua riqueza. É
preciso dar sempre o primeiro lugar a Jesus e estar disposto a lhe
oferecer sinceramente tudo que Ele pedir, a entregar a Ele sem reserva
o que somos ou possuímos. Ultrapassar sempre uma visão limitada da fé,
pois esta supõe uma adesão do ser humano a Deus, indo além do
conformismo que impera na mente de tantos cristãos incapazes de dar um
passo a mais na caminhada para a vida eterna, crescendo sempre na
dileção a Deus. Deus quer não apenas um espírito sincero, mas também
uma alma generosa aberta à grande afeição de seu Coração e a suas
exigências profundas e radicais.


*Professor no Seminário de Mariana
durante 40 anos.