Paróquia Santa Rita de Cássia

O Evangelho deste domingo trata da importante relação dos seguidores
de Cristo com os bens materiais (Lc 13,13-21). Questão delicada,
porque é preciso evitar tanto o angelismo no que diz respeito às
necessidades humanas, quanto o materialismo que não respeita nossa
dimensão espiritual. Assunto importante que nos esclarece quando se
vislumbra o verdadeiro sentido da vida. A existência humana pode ser
vista de duas maneiras, ou seja, considerando que tudo termina com a
vida terrestre ou avaliando esta existência como um etapa preciosa
rumo à vida eterna. Disto depende a maneira como cada um vive sua
peregrinação neste mundo. É preciso então, total coerência entre o que
se crê e o que se vive. De acordo com nossas convicções filosóficas e
espirituais somos levados a práticas diferentes, sobretudo no que diz
respeito aos bens materiais. É o que advertem os comentaristas do
supra citado Evangelho. Se tudo termina com a morte, para os que assim
erroneamente pensam, cumpre aproveitar ao máximo os prazeres sem outro
cuidado que não seja a satisfação pessoal. Entretanto, para os que a
vida presente não é senão o começo da vida eterna, uma preparação para
o derradeiro encontro com o Senhor Deus, então é este objetivo que
deve orientar a caminhada do viver nesta terra. No Evangelho Cristo
nos lembra que o aumento dos bens materiais não ajuntará em nada a
duração da vida terrestre. Um dia, quer queiramos ou não, será
necessário deixar esta vida, tal como a conhecemos, para entrar na
vida perene com Deus para a qual o ser humano é destinado. Nossa
vida eterna é desde já aquilo na terra foi começado e é preciso
sempre tender para as realidades espirituais as quais serão
inteiramente possuídas após a morte. Nossa vida está oculta em Deus e
o batizado, ressuscitado com Cristo, deve estar sempre voltado para as
coisas do alto. São Paulo na sua Primeira Carta aos Coríntios precisa
qual é a realidade espiritual que ultrapassa a morte, que é o amor.
Compreende-se então que Deus sendo amor, somente em mim a capacidade
de amar e de ser amado pode acolher o Amor supremo. Tudo que não é o
verdadeiro amor no cristão é estranho a Deus e assim não pode
subsistir na sua presença. Trata-se então da importância, durante
nossa vida terrestre, de trabalhar para aumentar a capacidade de amar
que nos dará a possibilidade de passar pela porta da morte para entrar
na vida eterna junto de Deus. Assim sendo, o critério do amor
autêntico é aquele com o qual podemos julgar a nossa maneira de
utilizar os bens materiais. Pode-se, deste modo, compreender que nada
terrestre levamos para a outra vida e que os bens materiais não
oferecem em si felicidade. Há no coração do homem dois receios e dois
desejos que o impulsionam a procurar os bens materiais. Nós procuramos
a posse dos bens terrestres para apaziguar o temor do futuro ou a
satisfação de nosso desejo de poderio e glória efêmeros. É certo,
porém, que há uma certa legitimidade no agir de maneira responsável
quanto ao futuro, especialmente quando se tem a reponsabilidade de uma
família, de uma comunidade. É também legítimo querer ter sucesso nas
tarefas diárias. Não se pode é perder de vista o objetivo final de
toda a vida humana. O desapego que o Evangelho de hoje inculca não
impede de se ter uma vista prospectiva do desejo de viver, de crescer,
de possuir, mas utilizando-se de bens terrenos, visando o bem próprio
e o dos irmãos sem endeusar o que é transitório. Em tudo o importante
é ser rico em relação a Deus. Do contrário, no final da vida muitos
terão que lamentar a vacuidade de vãos esforços que giraram unicamente
em torno do que é efêmero, vaidade de tudo que passa. É necessário se
convencer que o único bem é amar a Deus de todo coração e de ser pobre
de espírito. Para entrar nesta dinâmica do desprendimento em relação
aos bens materiais é preciso não somente compreender que nossa
finalidade consiste em fazer tudo para a glória de Deus e bem do
próximo, entendendo que com o verdadeiro amor partilhado o nosso
trabalho gerará uma melhor segurança em face às incertezas do futuro.
Diante de tudo isto é de bom alvitre indagar como é nossa relação com
os bens materiais e o dinheiro? Nas nossas prioridades que lugar damos
à procura e acumulação de riquezas? Como posso ser rico para com Deus?
Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.