Paróquia Santa Rita de Cássia

A ordem dada por Cristo a seu seguidor foi taxativa: ”Se alguém quer ser meu discípulo renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16,24). A razão de ser desta determinação é que Ele deve ser o ideal vivo, o guia de quem se diz cristão. Esse precisa se modelar nele, caminhar com ele, apoiar-se nele, valer-se dele em tudo. Aí está a exata compreensão da problemática cristã sentida e vivida no dia a dia de cada um. O que Jesus ensinou supõe esteja escrito no coração do seu discípulo, para que este não seja lhe infiel no pensamento e no proceder.

Urge todo o cuidado para que não se busque no Filho de Deus o que agrada a si mesmo e não corresponde plenamente ao que Ele ensinou. Portanto, para genuinamente seguir Jesus é preciso ser levado por uma confiança absoluta nele a fim de agir sempre de acordo com o acatamento que Ele merece. A imitação do Mestre divino implica então uma fé profunda e uma cooperação plena com a graça que nunca falta aos de boa vontade. Cumpre adotar todas as peculiaridades de sua vida. Deste modo, se verá a transitoriedade das coisas deste mundo em relação às realidades espirituais e eternas. A grandeza de Cristo e a de seu seguidor se mede aqui na terra pela paciência e renúncias voluntárias. A imitação de Jesus, por isto mesmo, inclui perseverança, não obstante as falhas humanas, pois é certo que Jesus nunca se cansará de nós.

De fato, seu amor é vivo e sem limites. Quando Ele proclamou: “Vinde a mim vós que estais aflitos e sobrecarregados”. Ele não especificou volume da carga, não limitou o tamanho do fardo. Garantiu, contudo, “Eu vos aliviarei”. O alívio é Ele próprio, pois este lenitivo não se encontra em lugar nenhum, nem em algum bálsamo terreno. Trata-se de uma ação total dele e dele tudo se pode esperar. Donde feliz é aquele que a Ele se liga por uma adesão irrestrita de todo o seu ser. Desta maneira, o cristão abriga o seu Senhor em si mesmo e tem consciência da extensão e da profundidade desta passagem do profeta Jeremias: “Há muito que o Senhor me apareceu, dizendo: Porquanto com amor eterno te amei, por isso com benignidade te atraí” (Jr 31,3).

Percebe deste modo o significado do que Jesus afirmou: “Quando for levantado da terra, atrairei todos os homens a mim” (Jo 12,32). Ele atrai ao Calvário que é este lugar do esforço e do sofrimento nobre. Nem todos, porém, entendem que apenas indo a Ele é que se terá a plenitude da salvação. Vivendo, embora, o cristão num instante fugitivo e imponderável, ele sente-se reconfortado porque está unido através de Cristo ao Instante eterno. Nem todos também sabem ativar a vida religiosa para adquirir uma profunda consciência de como Jesus é bom, robustecendo ininterruptamente a união com Ele. Para isso se faz necessário afastar corajosamente interpretações vagas sobre quem é Ele e sobre sua doutrina, para que se chegue a um conhecimento vital, iluminador que sustenta uma existência realmente santa. Ao se ter plena consciência do que é ser cristão, verifica-se um progressivo desenvolvimento.

Para isto nunca falta a iluminação divina que auxilia a afastar todos os obstáculos para carregar a cruz de cada dia, seguindo os passos do Mestre divino. Há dentro do cristão um poder de novidade que, sem nada anular, pode mudar o sinal de tudo, transformar em mais o que era de menos, recriar em cada um o ser espiritual e dar um valor absoluto ao que disse São Paulo: “Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus” (Rm 8,28). No seguimento de Jesus a vida do cristão muda quando, da dissipação exterior, ele retorna ao que há em si de mais profundo, ao que coincide de algum modo com o ato salvador que o coloca e mantem no ser regenerado pela Cruz de Cristo.

É este dinamismo clarividente que leva o batizado ao bem em geral, concretamente, à felicidade de colocar seus passos nos passos de Cristo. Toda a vida cristã deve ser uma assimilação de tudo que está no Evangelho, o qual a nutre das verdades eternas. O correto valor da vida não está na superfície, mas na profundidade da palavra divina, agindo naquele que sabe seguir a Cristo que qualifica suas atividades com seu poder divino. O cristão, assim, pode ultrapassar a si mesmo, dado que cada uma de suas ações é uma semente que frutifica maravilhosamente multiplicando a possibilidade de se identificar com Jesus, incessantemente O seguindo. 


Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho

Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.