Paróquia Santa Rita de Cássia

A maravilhosa ressurreição de Cristo é o fundamento da fé e da
esperança cristãs. No dizer de Santo Agostinho, o Filho de Deus,
vencedor da morte, na Páscoa dá uma prova incontestável de sua
divindade e é penhor da ressurreição, um dia, dos que nele creem e
esperam.

Durante sua pregação Jesus salientou diante dos que pediam uma
demonstração de sua divindade: “Esta geração perversa e adúltera
solicita um prodígio, mas não será dado outro prodígio senão o
prodígio do profeta Jonas”. (Mateus 16,4). Anteriormente ele havia
censurado do mesmo modo os fariseus, explicando que “assim como Jonas
esteve no ventre da Baleia três dias e três noites, assim estará o
Filho do homem três dias e três noites no seio da terra” (Mat.
12,38-40).

Quando da expulsão dos vendilhões do Templo, arguido sobre de onde
lhe vinha autoridade para tanto, Ele declarou: “Destruí este templo e
eu o reedificarei em três dias” (João 2,19). São João explicou com
notável precisão: “Ora, Ele falava do templo de seu corpo. Quando,
pois, ressuscitou dos mortos lembraram-se seus discípulos do que Ele
dissera, e creram na Escritura e nas palavras que Jesus tinha dito”
(2,21-22).

Aliás Cristo falou claramente: “O Filho do homem será entregue à
morte, e ressuscitará ao terceiro dia” (Mat. 17,22). Como escreveu São
João Crisóstomo, este fato glorioso, nos desígnios de Deus, fora
estabelecido sinal definitivo da missão divina de Jesus. Isto foi
compreendido perfeitamente por seus discípulos, tanto que São Paulo
peremptoriamente declarou: “Se Cristo não ressuscitou é vã a nossa
pregação, é também vã a vossa fé” (1 Cor. 15,14). A propagação do
Evangelho se deu, antes de tudo, firmada neste evento faustoso, de
capital importância para o estabelecimento da Igreja por toda a parte,
num processo, realmente, extraordinário. Nada pôde deter a expansão da
doutrina do Redentor, triunfador imortal e invencível. Como Santo
Tomé, milhares se prostraram ante Ele a repetirem: “Meu Senhor e meu
Deus!” (João 20,28). Além de ser, deste modo, o fundamento da fé, a
ressurreição de Cristo é arras de idêntica vitória sobre a morte para
aquele que crê ser Ele o Salvador da humanidade. São Paulo assim se
expressou: “Cristo ressuscitou dos mortos, sendo Ele as primícias dos
que dormem, porque. Assim como a morte veio por um homem, também por
um homem veio a ressurreição dos mortos” (1 Cor. 15,20-21). Aliás, no
Antigo Testemunho, o justo Jó proclamara: “Porque eu sei que meu
Redentor vive, que no último dia ressurgirei da terra, serei novamente
revestido da minha pele e na minha própria carne verei o meu Deus” (Jó
925-26). O Apóstolo das Gentes desceu a detalhes: “Assim a
ressurreição dos mortos. Semeia-se (o corpo) corruptível, ressuscitará
incorruptível. Semeia-se na ignomínia, ressuscitará glorioso;
semeia-se inerte, ressuscitará robusto; é semeado um corpo animal,
ressuscitará um corpo espiritual” (1 Cor. 15,42-44). Grandes verdades
a serem recordadas na Páscoa. Infeliz o libertino que não crê em
realidades tão sublimes. Desventurado o cristão que exteriormente diz
acreditar, mas não vive de acordo com tal crença e não segue as
diretrizes paulinas: “Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas
que são lá de cima, onde Cristo está sentado à destra de Deus;
afeiçoai-vos às coisas que são lá de cima, não às que estão sobre a
terra” (Col. 3,1-2). Felizes os fiéis que não apenas creem nestas
verdades, mas fazem delas a regra de sua vida e delas tiram as mais
vigorosas motivações para viverem unidos ao Redentor Ressuscitado,
praticando tudo que Ele ensinou. A única via que nos é accessível é da
fé. Esta fé não é uma fuga em uma representação fictícia. Ela se
apoia na Palavra de Deus. Este nos dá o seu Filho que pelo seu
abatimento mereceu depois a exaltação da ressurreição que faz todas as
coisas novas. Peçamos ao Senhor vivermos intensamente as mensagens
pascais. Assim poderemos levar por toda parte uma nota de esperança e
de alegria. A ressureição de Cristo, como bem se expressou o Papa
Francisco em seu texto “A alegria do Evangelho,” produz no nosso mundo
germes de um mundo novo, porque a ressurreição do Senhor está já
penetrada da trama oculta desta história, porque Jesus não ressuscitou
para nada. Nós não podemos ficar à margem deste caminho de esperança
viva. Com nossos irmãos de tradição oriental saudemo-nos neste dia,
proclamando e dizendo com toda convicção: “Cristo ressuscitou, Cristo
verdadeiramente ressuscitou”. *Professor no Seminário de Mariana
durante 40 anos