Paróquia Santa Rita de Cássia

Celebramos hoje a solenidade de São Pedro e São Paulo que foram os
fundamentos da Igreja primitiva, portanto de nossa fé cristã. A Pedro
Jesus prometeu o primado, que ele lhe conferiu depois da ressurreição:
“Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja {Mt 16,
13-19). Paulo foi um dos mais proeminentes líderes do cristianismo
nascente. Roma foi o lugar em que ambos foram martirizados. Isto não
aconteceu por acaso. Pedro e Paulo vieram para Roma por caminhos
diferentes, mas foi a Providência divina que conduziu estas duas
colunas da Igreja nascente até o coração do império romano, onde
sacrificaram suas vidas por Jesus. Paulo tinha o desejo de vir a Roma
como ele mesmo escreveu na Carta aos Romanos. Para ele, Roma era
importante para anunciar o Evangelho a todos os povos, a todas as
nações, sem exceção. Porque a Igreja é católica, ou seja, universal,
daí a necessidade deste Apóstolo de ir a Roma que era o centro do
mundo de então. Assim sendo, como cidadão romano que era, ele apelou
ao imperador para nesta cidade ser julgado. Antes mesmo de ser levado
para aí como prisioneiro. Paulo tinha o desejo de passar por Roma para
tornar a fé visível mundo inteiro. Jesus ofereceu sua vida por todos
os homens e ele queria que todos fossem salvos. Pedro não era cidadão
romano e veio a Roma por uma razão um pouco diferente. Ele teria
certamente preferido ficar perto de seu lago para a pesca e sua base
era Jerusalém e sua região. Aliás seja dito que na Carta aos Gálatas
Paulo escreveu que Pedro fora enviado para os judeus e ele para os
pagãos. Entretanto, pelos Atos dos Apóstolos vemos que pouco a pouco
o Espírito Santo abriu a inteligência de Pedro aos pagãos, para os
judeus incircusisos. A Tradição Cristã conserva, que, terminado o
Concílio em Jerusalém, Pedro viajou para Roma. Era um antigo ideal que
zelosamente guardava no coração, de poder evangelizar o centro do
Império Romano. Provavelmente, se deslocou para Cesaréia e ainda no
ano 49 ou 50, foi para a Itália, quando Cláudio era o Imperador
Romano.Esta conclusão é confirmada pela voz unânime da Tradição. Pedro
seria a garantia da unidade da Igreja Ele possuía as chaves do reino
dos céus, o poder de ligar e desligar. No credo nós dizemos que cremos
na Igreja uma, santa, católica e apostólica. Pedro foi para Roma
sobretudo para trabalhar na unidade da Igreja formada de judeus e
pagãos. Ele devia fazer que a Igreja não se identificasse nunca com
uma só nação, uma só cultura ou com um só Estado, mas que ela fosse
sempre a Igreja de todos. Paulo foi para Roma mais particularmente
firmando a catolicidade da Igreja, de sua dimensão universal, pois
Jesus viera salvar todos os homens. Paulo tinha a missão de fazer
crescer o corpo que e a Igreja Pedro tinha, entre outras, a missão de
preservar a unidade e a identidade deste corpo. O Papa Bento XVI em
2009 mostrou que a festa dos santos patronos de Roma evoca a dupla
aspiração típica desta Igreja para a unidade e para a universalidade,
ou seja, esta solenidade exprime a unidade e a catolicidade da
Igreja Além de tudo isto está solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo,
bem como a festa destes dois santos em particular é a festa da
fraternidade da Igreja, enquanto suas festas particulares, pessoais,
mostram momentos decisivos em suas vidas: 22 de fevereiro festa da
Cátedra de Pedro e 25 de janeiro a conversão de Paulo, Assim eles
têm uma relação pessoal com Jesus, honrado nesta festas. Hoje os
festejando juntos a tradição cristã insiste sobre o fato de que Pedro
e Paulo são inseparáveis. Isto não quer dizer que entre ambos não
tenha havido algumas discordâncias como lemos na carta aos Gálatas e
nos Atos dos Apóstolos. Pedro e Paulo eram diferentes sob vários
pontos de vista: sensibilidade, cultura e outros aspectos. Ambos
tinham uma personalidade forte e a fraternidade foi colocada à prova
nestes casos, mas a unidade triunfou sempre pelo amor de Jesus. Esta
festa de hoje é um apelo para que se trabalhe sempre pela unidade e
catolicidade da Igreja, numa fidelidade absoluta ao Papa, legítimo
sucessor de São Pedro. Professor no Seminário de Mariana durante 40
anos